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O que a morte nos ensina?

Por Rangel Ramos
o que a morte nos ensina

O QUE A MORTE NOS ENSINA?

Enquanto seres finitos, sabemos desde o dia que nascemos que um dia morremos. Mas, o que a morte nos ensina?

Até hoje, ninguém mais conseguiu burlar essa lei natural a todos os seres vivos do plante Terra. Inclusive Jesus, Lázaro e outros personagens da história, tiveram que morrer para, então, serem ressuscitados.

Saber que a morte é um fato, nos faz pensar e refletir sobre como estamos vivendo nossas vidas. Mas, também, para além disso, nos pegamos a pensar e a refletir no que significa a ressurreição de Jesus.

E, por que isso é tão importante para nós?

O que a morte nos ensina? O que a ressurreição nos ensina?

Por que a reflexão sobre o fato de sermos infinitos nos ajuda a viver melhor?

Neste post vamos refletir sobre o que a morte e ressurreição de Lázaro ensina sobre espiritualidade, vida e eternidade.

MORTE, RESSURREIÇÃO E VIDA

“Disse-lhes Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente”. João 11.25

Jesus diz isso para Marta e Maria logo depois de ressuscitar Lázaro. Episódio emblemático que compõem a lista de sinais que legitimam a messianidade de Jesus. Isto é, sinais que somente o “libertador” de Israel seria capaz de fazer. 

Segundo a tradição judaica, o messias teria que curar um cego de nascença, um leproso, um coxo, ressuscitar um morto, enfim, deveria cumprir uma série de requisitos para o Sinédrio legitimar sua autoridade celestial. 

Mas, esse texto também nos leva a uma outra reflexão sobre a morte. E, te pergunto: o que morte nos ensina? você tem medo de morrer? 

Já pensou em ser imortal?

Outro dia estava assistindo uma série da Netflix que se baseia no pressuposto de que seria possível fazer download da consciência humana e colocá-la em outro corpo. Ou seja, ninguém mais morreria, em vez disso, trocaríamos de corpo, como se trocássemos de roupa. 

Você gostaria de migrar sua memória para outro corpo e continuar “vivendo”?

A imortalidade é um dos temas que mais instigada a racionalidade humana. Pesquisas sobre criogenia têm tido grandes avanços tecnológicos. Já pensou em congelar seu corpo hoje e acordar daqui 200 anos? 

Todas essas indagações são instigantes, porém, a realidade é que, conviver com a certeza de que todos morreremos é o que resta a nós, “pobres mortais”. 

Jesus, por outro lado, ativa uma esperança: quem crer, viverá eternamente. 

Mas, será que queremos não morrer? Será que não é necessário um fim? 

É claro que Jesus não está falando da morte do corpo. Ele tem poder sobre a morte, afinal, é isso que demonstra ao ressuscitar Lázaro. 

Jesus está falando que crer nele não terá uma morte espiritual. Não terá um rompimento entre seu espírito e o próprio Deus. Sim, isso é o básico na reflexão cristã. É a única esperança que temos, na verdade.

Saber que vamos morrer é bom

Por outro lado, saber que temos um fim é bom, porque é isso que nos impulsiona a viver com mais intensidade. Saber que vamos morrer faz-nos pensar em como estamos vivendo. 

A bem da verdade é que ao ressuscitar Lázaro, Jesus não está preocupado com a morte, tampouco em demonstrar seu poder. 

Ele está empenhado em nos ensinar a viver.

E, quando aprendemos a viver, sabendo que um dia iremos morrer, nossa forma de ver vida muda. 

Na minha opinião, há pelo menos três coisas que mudam quando tomamos consciência do que a morte nos ensina:

A morte é apenas uma das etapa da vida; 

Não estou dizendo para você ser displicente e se alimentar mal, não fazer exercícios ou parar de cuidar da sua saúde. 

Estou dizendo que, em vez de ficar preocupado com o amanhã, você precisa a aprender a viver o hoje e o que tem pra hoje. 

Quando não vivenciamos o nosso presente somos tomados pela ansiedade. E a ansiedade é um dos males do nosso século.

A ansiedade é atravessada pelo medo de morrer. Afinal, bem sabemos que a fase mais aguda da ansiedade é a agonia, que é a sensação mais próxima da morte que a mente humana conhece. 

O ansioso está envolvido em tantas atividades e tem que cumprir tantos papéis que quando não consegue realizar aquilo que gostaria fica angustiado e chega até pensar em dar fim à própria vida.

Quando reconhecemos que a morte é só mais uma de tantas outras etapas da nossa vida aprendemos a deixar o amanhã pra amanhã. E ontem no passado.

Aprendemos a descansar em Deus, confiar que Ele que está sempre caminhando com a gente e que a vida tem sim seus percalços.

Então, devo viver a vida de qualquer jeito?

Não! De forma alguma, quando digo isso não estou querendo te incentivar a ser subserviente, displicente e irresponsável.

Muito pelo contrário, meu conselho é que você tenha maturidade para desenvolver uma espiritualidade equilibrada.

Onde sua ansiedade é tratada a partir de um relacionamento saudável com Deus, consigo mesmo e com os outros.

A morte é a última etapa da sua vida. E quanto as outras etapas? O que você fez hoje para vivencia-las de forma positiva e intensa?

Está se dedicando para alcançar a profissão que almeja? Está empenhado em melhorar a vida das pessoas ao seu redor?

Está dedicado a dar uma estrutura mais adequada para sua família?

Tens ajudado sua comunidade local? Vai casar? Ter filhos? Se formar? Construir? Reformar? Mudar de cidade? Há tanto para viver.

Aprendemos a valorizar o que precisa ser valorizado;

Saber viver é saber valorizar aquilo que realmente tem valor. Aquilo que o dinheiro não pode comprar. 

Na série da Netflix que comentei  que estou vendo, os mais ricos conseguem viver por mais tempo porque fazem clones do próprio corpo e atravessam os séculos fazendo download de suas memórias para o copo clonado.

O tempo sem qualidade não cria memórias saudáveis. 

 

O tempo mal utilizado cria traumas. Esses traumas transformam memórias boas em más.

Pessoas que amavam e eram amáveis, tornam-se amarguradas e só ferem os outros, com palavras e ações. 

A consciência da morte nos impulsiona a dar qualidade ao pouco tempo que temos. Saber viver é saber construir memórias saudáveis. 

Para isso, precisamos aprender a valorizar aquilo que o dinheiro não pode comprar. Precisamos amar mais e comprar menos. 

Dar tempo de qualidade para quem amamos. Dedicar energia fazendo aquilo que amamos. Enfim, precisamos aprender a amar uns aos outros.

A morte nos ensina sobre vida eterna

Se a morte que Jesus fala não é terrena, a vida que ele se refere também não é.

Pode parecer estranho, mas tudo o que fazemos no plano real repercute no plano espiritual. Ao menos, é o que acredito.

Isso não é uma raciocínio só do cristianismo, na verdade, está presente em todas as religiões. É uma premissa universal, afinal na prática religiosa real e espiritual estão coadunados em uma intersecção cósmica. 

Em Israel, por exemplo, havia uma tradição entre os rabinos de Israel de que eles possuíam uma chave que ligava o céu e a terra. Quando dois deles concordavam com algo, isso também era “chancelado” no céu.

Por isso, em Mateus 18.18, Jesus diz aos discípulos que o que eles ligassem na terra também seria ligado no céu. Jesus está dizendo que essa chave não pertence, apenas, aos rabinos, mas, a todos nós. Basta usá-la.

A maneira como vivemos na terra reverbera em nossa vida celestial.  E, se Sto. Agostinho estiver certo e Deus for atemporal, a vida eterna que Jesus nos oferece também é. 

O que estou tentando dizer é que já vivemos a vida eterna aqui na terra, no plano real, já estamos no céu, a morte é só uma transição entre os planos. Entendeu?

Por isso, tudo o que você faz na vida real tem uma conexão profunda com o cosmos. 

Tudo está interligado, reino espiritual, natureza, ser humano, alma, vida. Então, viver é algo que está para além de se manter vivo. 

Viver é estar conectado. É se abrir a sensibilidade. É olhar com olhos espirituais. 

 

Olhar para a natureza com olhos espirituais. Olhar para as pessoas com olhar espiritual. Viver é estar conectado com algo bem maior do que eu e você. 

Mas, como eu faço para viver intensamente?

Para você começar a compreender de forma prática tudo isso que falei até aqui, eu te convido a refletir sobre o texto de Colossenses 3.14 “e acima de tudo revistam-se do amor, que é o elo perfeito”. 

O amor é o elemento que dá liga ao plano espiritual e o plano real. Viva sua vida em amor e você vai vivenciar coisas indescritíveis.

Portanto, o que a morte nos ensina? A morte nos ensina a viver em amor.

A morte nos ensina que a vida é muito mais do que se manter vivo.

A morte nos ensina que a vida bem vivida é aquela onde o amor está no centro de todas as nossas ações.

A morte nos ensina a viver.

Hora de Agir

Se você leu o post até aqui e gostou, então, deixe um comentário. Conte para nós o que a morte te ensina?

E se você está passando por algum momento difícil onde se pega tendo inúmeros pensamentos suicidas, fale com a gente.

Mande um email, entre em contato.

Estamos aqui para aprender a amar uns aos outros.

Rangel Ramos
Doutorando pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). E bacharel em Teologia e em Comunicação. Escreve sobre liderança, desenvolvimento pessoal e textos devocionais. É um dos idealizadores do movimento Uns Aos Outros.
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