O que a palavra de oferta da viúva pobre nos ensina?
“Jesus olhou e viu os ricos colocando suas ofertas e dízimo nas caixas de contribuição. Viu também uma viúva podre colocar duas pequeninas moedas de cobre. E disse: afirmo-lhes que esta viúva pobre doou mais do que todos os outros. Todos deram do que lhes sobrava, mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver”. Lucas 21.1-4.
A entrada triunfal em Jerusalém é o auge do ministério de Jesus. Ele é reconhecido por uma grande multidão. As pessoas se aglomeram para saudá-lo. Há uma festa e as criancinhas cantam: Hosana, é chegado o Rei.
Entrando na cidade em meio a toda aquela agitação, Jesus caminhou até o Templo e expulsou dali as pessoas que faziam da adoração um comércio. Episódio que conhecemos como a “Purificação do Templo”. Mas, não parou por aí.
A partir de então, Jesus começa a ensinar no Templo, todos os dias. Conta a parábola dos lavradores, fala sobre a ressurreição, manda que dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus e por aí vai.
Mas, antes de começar a falar sobre o fim dos tempos, Jesus vê aquela viúva pobre doando tudo o que tinha, enquanto os outros davam dízimo daquilo que lhes sobrava.
Então, cheio de autoridade, pois havia atraído uma multidão até o templo, Jesus se levanta e confronta os presentes dizendo que aquela viúva tinha dado mais que todos ali.
O texto diz que ela deu duas moedas gregas. O equivalente a alguns centavos de reais hoje em dia. Mas, segundo Jesus, ela doou mais que todos.
Mas, como assim? O que ela entregou foi tão pouco, como poderia ser mais do que os ricos que deram altas quantias?
Bom, para responder essas questões vamos dar uns passos atrás e entender a ressignificação que Jesus propõe para o conceito de Dízimo.
O que é dízimo?
O que Jesus mais fez em seu ministério foi ressignificar os símbolos judaicos e da cultura greco-romana. E o escolhido da vez é o Dízimo. E o que é que ele ressignifica então?
O dízimo foi instituído pela lei mosaica, enquanto o povo hebreu vivia no deserto. Era a décima parte de tudo o que plantavam ou cultivavam. O dízimo era a forma que os líderes hebreus encontraram para manterem-se economicamente ativos.
Para além de uma ordenança divina, o dízimo era também o tributo fiscal dos hebreus. Ele mantinha o sistema educacional e judicial da nação. O dízimo funcionava como um imposto. Porém, chancelado por uma regra espiritual.
A saber, o estado hebreu é constituído em base da religião, por isso, sua dinâmica socioeconômica era diretamente atravessada pelo recolhimento dos dízimos entregues aos levitadas para administração da nação.
Eu explico um pouco melhor essa dinâmica em outro texto, em que falo sobre a Aliança de Sal que Deus fez com os levitas. Vale a pena ler e depois voltar aqui para continuar a leitura deste texto.
dízimo revela generosidade
Mas, como disse anteriormente, Jesus gostava de ressignificar símbolos importantes do judaísmo. E neste post vou explicar como é que a oferta da viúva pobre nos ensina que dinheiro também é um assunto espiritual.
O dízimo nunca teve a ver com quantidade. A oferta em adoração a Deus nunca teve a ver com o quanto as pessoas possuem.
Dízimo e oferta tem a ver com generosidade.
Em Deuteronômio 14.22, a recomendação é que as pessoas deveriam levar até o Templo as primícias da colheita e do rebanho para comerem todos juntos, inclusive com os levitas, que não herdaram terras na divisão das tribos.
Jesus ressignifica a ideia de “mais“. Para ele, mais não tem a ver com a quantidade, tem a ver com a importância que aquilo tem para quem está doando. Por isso, a viúva doou mais que todos ali.
O texto de Lucas diz que os ricos doavam do que sobrava. Entregar aquilo que sobra não tem importância alguma para nós. É fácil. É cômodo. Difícil é entregar daquilo que realmente tem valor em nossas vidas. E, que quase nunca é o dinheiro.
Em nossa era, absorvida pelo capitalismo, que visa lucro em detrimento de tudo, somos condicionados a pensar que o que importa é o dinheiro. Que ao ter dinheiro teremos paz, alegria e tranquilidade.
Ou, então, a importância está naquilo que retemos. Ou, no quanto retemos. É por isso que antes de falar da viúva, Jesus conta a parábola dos Lavradores, que nada mais é, que um ensinamento a respeito daquilo que retemos.
Os lavradores queriam a vinha só para eles, então, conspiram para matar o herdeiro. Quando você retém dinheiro, propriedades e quer acumular bens acima de tudo, sabendo que muitos à sua volta precisam ser atendidos, você está tomando do próprio Deus.
o Dízimo não é seu
Jesus diz que é para dar a César o que é de César. O império Romano só tinha olhos para o enriquecimento de sua nobreza. Nada mais importava. Se suas colônias estivessem pagando os impostos estava tudo bem e a paz permanecia.
A economia estava acima da vida.
Mas, a Deus seja dado o que é de Deus. As moedas da época eram marcadas pela face de César. Era a imagem de César que estampava o dinheiro. Era isso que tinha importância para os romanos.
Mas, para Deus o que importa é a vida. O ser humano foi marcado a imagem de Deus. É a vida o que mais importa para Deus. Isso é o que deve ser devolvido para Deus.
De nada adianta você dar seu dinheiro para a igreja, para projetos sociais ou missionários, se você não deu sua vida por completo. Aquela viúva deu tudo o que ela tinha. Porque entendia que tudo que era dela pertencia a Deus, inclusive sua vida.
A viúva simplesmente confiou que ao dar tudo o que tinha receberia o que realmente precisava. Pois, compreendeu que Deus não deixaria que nada lhe faltasse. E, isso se chama Lei do Retorno.
Dízimo é um assunto espiritual
Em 2ª Coríntios 9.6-7, o apóstolo Paulo diz: “lembrem-se: aquele que semeia pouco, também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura, também colherá fartamente”.
Assim como a Lei da Gravidade está para todos nós terráqueos, a Lei do Retorno está para todos aqueles que semeiam no Reino de Deus.
E, mais uma vez, o apóstolo Paulo, à semelhança de Jesus, não está falando de quantidade. Por mais que numa primeira impressão a sensação é que seja a quantidade de sementes lançadas na terra que vai dar fartura, a lógica não é essa.
Nem mesmo para a agronomia. Pois, de nada adianta você lançar muitas sementes se todas são de má qualidade. Somente sementes boas é que germinam e dão frutos.
Paulo continua sua exortação dizendo que cada um deve dar conforme pode, de acordo com o que predeterminou em seu coração. O importante aqui é doar com alegria, sem pesar.
Por isso, compreendendo que a doação contribui para algo muito maior. Algo que extrapola nossa visão limitada de vida. O dinheiro que você dá em forma de dízimo ou oferta vai retornar para você de outras formas.
No verso 11, o apóstolo diz: “vocês serão enriquecidos de todas as formas, para que possam ser generosos em qualquer ocasião”. Isso é a Lei do Retorno.
Ao doar, Deus nos fará prosperar em todas as áreas da vida. Saúde, família, relacionamentos e afins. E, inclusive, na financeira também.
Certa vez um amigo meu disse: “Rangel, só não tem quem não doa”. Sabe o que é isso? Lei do Retorno.
Quando você retém dinheiro, você perde em paz. Quando você coloca a economia acima da vida você só terá ao seu lado pessoas interessadas no seu dinheiro.
Mas, ao ser generoso, você poderá experimentar de algo muito maior do que você mesmo. Ao ser generoso você aprenderá a viver na dependência de Deus, que tem muito mais do que nós podemos imaginar.
Doar e confiar em Deus é uma das experiências espirituais mais incríveis que você pode ter na sua peregrinação espiritual.
Não deixe de vivenciar as coisas maravilhosas que Deus tem para você por causa dos bens ou do dinheiro que você adquiriu. Ser generoso é experimentar do sobrenatural de Deus.
Tenho Obrigação de doar?
Quando vivenciamos a experiência espiritual da Lei do Retorno, nasce em nós um sentimento, que minha esposa o batizou de “Obrigação em doar”. Ela diz que olha ao redor, percebe o quanto já fomos abençoados e sente dentro de seu coração uma obrigação em ajudar os outros. Isso não é incrível?
Lembro de quando estava recém formado do seminário, eu e ela atravessávamos a cidade para trabalhar em uma igreja bem pequena, que tinha em média de 30 de pessoas no culto. A oferta que recebíamos não pagava nem o combustível que gastávamos para estar lá no domingo de manhã e de noite.
Outro dia, fizemos novamente o trajeto daquela época, pois eu precisava reencontrar um amigo. Então, em uma daquelas conversas nostálgicas de casal, começamos a refletir sobre o quanto Deus havia nos abençoado desde aquela época que trabalhávamos naquela pequena igreja. E, o quanto temos hoje para abençoar outras pessoas.
Quando vivenciamos a Lei do Retorno percebemos que há muito mais escondido em Deus do que podemos imaginar. Ele é o dono de tudo. Do ouro, da prata, dos bens, das propriedades. Mas, ele só pode liberar suas bênçãos materiais aos generosos. Essa é a Lei. Deus não desrespeita sua própria lei.
Por isso, em Malaquias 3.10, Deus desafia os judeus: “tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja comida em minha casa e façam prova de mim, para ver se eu não vou abrir as janelas do céu”. Eu te convido a experimentar isso.
Seja generoso e deixe Deus abrir as janelas do céu sobre a sua vida. Doe seu tempo, sua energia, seu dinheiro, ou o que predispor em seu coração. Às vezes, você pode abençoar alguém, simplesmente, recomendando o trabalho dele ou dela para outras pessoas.
Em vez de comprar das grandes lojas, das marcas mais caras, você pode optar por comprar daquele que bate na sua porta, do que está no semáforo, do ambulante. Daquele pequeno empreendedor que está lutando para vencer na vida. Inclusive, você pode até se surpreender com a qualidade do produto.
Seja generoso sem esperar nada em troca. Sem ficar fiscalizando o que vão fazer com sua oferta. Apenas, libere. E se liberte. Descanse em Deus e experimente o sobrenatural. Afinal, dinheiro é um assunto espiritual.
Dízimo e oferta tem a ver com generosidade. Tem a ver com algo muito maior do que eu e você. Dar o dízimo, ofertar em algum projeto ou ajudar alguém é a oportunidade que Deus nos dá de nos tornarmos seres humanos melhores.
É tempo de aprendermos a ser desprendidos das coisas terrenas e ligados nas coisas celestiais. E tudo começa no ponto mais sensível de nossa vida adestrada ao capitalismo: o dinheiro. Se isso não for curado, não experimentaremos da provisão de Deus em plenitude.
É hora de agir!
Se você chegou até aqui na leitura e se sentiu abençoado, então, quero te dar uma oportunidade de colocar em prática tudo o que leu.
O Uns Aos Outros é um ministério independente e interdenominacional. Nós não recebemos ajudar de nenhuma instituição religiosa.
Contamos, apenas, com doações de pessoas que sente em seus corações o desejo de nos abençoar.
Se você é uma dessas pessoas clique aqui e vem exercer a generosidade.