RESSURREIÇÃO OU REENCARNAÇÃO?
falar sobre morte é refletir sobre a vida. você vive ou sobrevive?
“Respondeu o Senhor: “Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”.
Lc 10.41-42.
Quando paro para pensar nesse dilema teológico sobre Ressurreição ou Reencarnação, sou obrigado a refletir sobre os episódios de ressurreição registrados na Bíblia. Não somente da ressurreição de Jesus, que comemoramos na páscoa. Mas, também os outros casos.
O relato de Lucas sobre Marta e Maria, por exemplo, aponta para outro episódio envolvendo as duas irmãs – a ressurreição de Lázaro (Jo 11.38), o irmão mais velho delas. Alguns teólogos antigos diziam que se Jesus não chamasse Lázaro pelo nome todos os mortos teriam levantado também. Seria uma versão engraçada de The Walking Dead. (Brinks)
A bem da verdade é que ressuscitar alguém em público era mais um dos sinais que confirmavam a messianidade de Jesus. E, detalhe, teria que ser depois do quarto dia, pois os judeus acreditavam que até o terceiro dia o espírito do morto ainda pairava pelo cadáver.
Lázaro está morto. Jesus chega. As irmãs choram e reclamam que é tarde demais. Mas, Jesus simplesmente olha para a tumba e chama Lázaro de volta à vida. O homem que todos viram morto está vivo novamente.
Não dá pra saber se a cena com Marta e Maria descrita em Lucas 10 aconteceu no mesmo momento da ressurreição de Lázaro, mas, esses episódios envolvendo essa família sempre me intrigaram. E, especialmente o trecho de Marta e Maria, porque parece que Jesus valoriza mais as pessoas preguiçosas do que os dedicados. Marta está lá fazendo várias coisas e Maria fica ali “aos pés” de Jesus. Não parece justo, né?
Pois é, mas, é sobre isso que quero falar aqui. Esse pequeno texto, meio solto no evangelho de Lucas, fala muito sobre como levamos de fato a nossa vida. E, para além da discussão pós morte, sobre ressurreição ou reencarnação, eu gostaria que neste post, refletíssemos sobre a vida.
POR QUE FAZER VIVER NOVAMENTE?
Antes de qualquer inferência, preciso salientar que Jesus só pode fazer o que fez porque Ele mesmo é a vida. E a vida que Jesus é, e dá, é a Vida Eterna. O que à primeira vista parece assustador, pois viver para sempre parece cansativo, não? Em outro post eu comento mais sobre isso. Você pode vê-lo clicando aqui.
E, antes que você fique mais confuso, explico que eterno não é sinônimo de infinito e nem de imortal. Infinito é aquilo que tem começo, mas não tem fim. Imortal é aquilo que vive, mas não morre. Agora, eterno é algo que não tem nem começo e nem fim.
O eterno está fora da nossa compreensão cronológica de tempo.
Eterno, na verdade, é algo que não pode ser medido. Não é muito, nem pouco. Não tem começo, nem meio, nem fim. Não tem rotina, tampouco pode ser mensurado dentro do tempo. Eterno é atemporal, isto é, está fora do tempo.
Os gregos tinham dois termos para distinguir o tempo: Cronos e Kairós. Cronos, na mitologia grega convencional – porque há controvérsias sobre isso – , é o rei dos titãs, filho de Urano e pai de Zeus. Mas, o kairós é outro tipo de tempo. Na mitologia é o caçula de Zeus. O neto queridinho de Cronos. Ele é o “deus do momento oportuno”.
Para nós, ocidentais, o Cronos seria o tempo cronológico, já o Kairós seria o tempo em sua natureza qualitativa. É o momento indeterminado no espaço que algo especial acontece. É a experiência do momento oportuno. O Kairós é o instante. É aquele momento que você gostaria de congelar. É o deleite no que está acontecendo.
O ontem é história, o amanhã um mistério, mas o hoje é uma dádiva, por isso se chama presente. Mestre Oogway ( Kung Fu Panda)
QUAL É A VIDA OFERECIDA POR JESUS?
A vida oferecida por Jesus não é, necessariamente, cronológica. A ressurreição também não. Apesar do episódio com Lázaro. Sim, Lázaro recebeu mais alguns anos cronológicos. Isso não é discutível. Mas, a vida e ressurreição de Jesus está para além da cronologia.
O que aconteceu no plano físico com Lázaro precisa ser compreendido como um sinal para o que acontece no plano espiritual. A ressurreição, a vida, o tempo que Jesus promove é qualitativo, não só quantitativo. E, por isso, atravessa os tempos. Está no Kronos e no Kairós de nossa existência.
Limitar a vida ao tempo cronológico é limitar nossa própria existência.
É por isso que Maria escolheu a “parte boa” ou a “boa parte”. Maria escolhe ter tempo de qualidade. Escolhe vivenciar a experiência de estar com Jesus. Ela quer aproveitar aquele instante de sua existência. Enquanto Marta só consegue ver as coisas que precisa fazer para remir o tempo cronológico.
Portanto, se interpretarmos o episódio de Marta e Maria por esse prisma, viver eternamente já não parece tão assustador. Afinal, se a eternidade não pode ser medida. Se não há rotina, nem contagem. Há, apenas, qualidade de tempo, ou tempo de qualidade. Essa é a promessa que a ressurreição nos reserva.
Essa é uma das respostas da teologia para o dilema sobre ressurreição ou reencarnação? Pois, a ressurreição oferece a vida eterna no sentido de qualidade do tempo. Enquanto a reencarnação oferece uma nova chance dentro do tempo cronológico.
RESSURREIÇÃO AFIRMA IDENTIDADE
Como assim? Eternidade reafirma identidade? Sim, a ressurreição é diferente da reencarnação. Enquanto na reencarnação você volta sendo outra pessoa, na ressurreição você continua sendo a mesma pessoa.
Na ressurreição há uma continuidade da nossa existência. A morte é, apenas, uma passagem de um estado para outro. Continuamos sendo os mesmos que éramos enquanto estávamos vivos dentro do tempo cronológico. Mas, agora nosso kairós assume o controle. A lógica se inverte.
Blaise Pascal disse: “Não somos seres humanos tendo experiências espirituais, somos seres espirituais tendo experiências humanas”.
Jesus permite a continuidade de nossa existência porque deseja uma relação pessoal diferente com cada um de nós. Deus é um deus pessoal e, por isso, prefere manter a nossa identidade em constante formação. Nós não somos apenas uma energia vital. Somos pessoas, com identidade própria. Uma vez existindo, não deixaremos mais de existir.
Devolvo-lhe a pergunta: Ressurreição ou Reencarnação? Kronos ou Kairós? Tempo de qualidade ou Tempo em quantidade? Viver ou Sobreviver? Lembre-se, a escolha entre ressurreição ou reencarnação, é uma questão de fé. Apenas, fé.
Se você quiser mais sobre esse assunto te convido a ouvir o Boteco Virtual do nosso podcast: Desdizeres. É só dar play aí:
AGORA É HORA DE AGIR
De toda essa reflexão sobre a ressurreição e a vida que Jesus oferece questiono o quanto de qualidade há no meu e no seu tempo? Será que vivemos o kairós aqui e agora? Ou será que estou vivendo aprisionado ao cronos? Fazendo e refazendo coisas para remir o meu tempo cronológico?
Outra pergunta que faço a mim mesmo é: se acredito na ressurreição, o quanto isso interfere na construção da minha identidade? E, o que muda quando eu compreendo que depois da morte vou continuar sendo a mesma pessoa que eu era aqui?
Obviamente que eu não tenho a resposta final para essas questões. São perguntas retóricas. São questões importantes para avaliarmos melhor a maneira como estamos vivendo, como estamos nos relacionando com Deus e com as outras pessoas.
São questões que me impulsionam a valorizar o que precisa ser valorizado. Me provocam a ter tempo de qualidade com quem eu amo. A deixar de lado os afazeres rotineiros do kronos para vivenciar experiências no kairós. É o que nos ajuda a dedicar tempo de qualidade amando uns aos outros.
[…] também, para além disso, nos pegamos a pensar e a refletir no que significa a ressurreição de Jesus. E, por que isso é tão importante para […]
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