No resumo do livro Fora de Série – Outliers, você vai aprender como se destacar e alcançar o sucesso. Malcolm Gladwell revela os segredos que proporcionaram a Bill Gates, Steve Jobs, Beatles e outros terem êxito em seus campos de atuação.
O livro Fora de Série ensina que o sucesso é resultado de:
- Oportunidades extraordinárias: como Bill Gates que teve acesso à programação em tempo real na 8ª série.
- Legados culturais: como é o caso dos orientais que aprendem a somar enquanto aprendem o nome dos números.
Sendo assim, essas duas estratégias permitem aos Outliers:
- Aprender por no mínimo 10.000 horas;
- Trabalhar duro;
- Entender o mundo de forma diferente.
Mas, antes começar, vamos conhecer o autor. Malcom Gladwell é jornalista, colunista da revista The New Yorker desde 1996. Formado em História pela Universidade de Toronto – CA. Autor dos best-sellers “O ponto de virada” e “Blink”.
Vamos descobrir como ser um Outlier?
O mito do “self-made man”
Quando concorreu para governador da Flórida, Jeb Bush considerou uma desvantagem ser filho e irmão de ex-presidentes e neto de um senador. Como estratégia de campanha eleitoral, ele se auto intitulou um: “self-made man”.
Segundo Malcolm Gladwell, o fato de poucas pessoas se surpreenderem com essa definição demonstra “uma indicação da intensidade com que o sucesso é associado exclusivamente ao esforço individual”.
As realizações de Jeb Bush fizeram dele um outlier, ou seja, alguém que conseguiu algo extraordinário estatisticamente. Mas, do mesmo modo que o contexto familiar facilitou o seu sucesso, fatores externos invisíveis também podem ajudar outros a elevarem-se acima da média.
Por exemplo, ao ver um músico habilidoso, um atleta profissional ou um empreendedor de sucesso, quase sempre, tem-se aquela sensação de que esses indivíduos nasceram sabendo o que fazem hoje.
Malcolm Gladwell comenta: “a história é sempre a mesma: o herói nasce em circunstâncias modestas e, graças ao seu talento e à sua garra, abre caminho até o topo”.
Isso acontece porque, em quase todas as sociedades, o sucesso e a realização pessoal são atribuídos aos esforços individuais e às habilidades naturais.
É o mito do “self-made man”, ou seja, a valorização de alguém que diz ter se feito sozinho. Mas, para Gladwell existem outros fatores, às vezes ocultos, que também contribuem para o sucesso.
Ninguém surge do nada
Malcolm Gladwell explica que “ninguém surge do nada”. Aqueles que são recebidos com louros podem até dar a impressão de que alcançaram o topo sozinhos, mas não é necessariamente assim que as coisas acontecem.
Para Gladwell “eles são, invariavelmente, os beneficiários de vantagens ocultas, oportunidades extraordinárias e legados culturais que lhes permitiram aprender, trabalhar duro e entender o mundo de uma forma que outros não conseguem”.
Qualidades inatas como 2m10cm de altura ou um Q.I extraordinário não podem garantir um contrato milionário de basquete ou um Prêmio Nobel. Isso porque características inatas são limitadas.
Por exemplo, depois de chegar a certa altura, um par extra de polegadas não fará diferença se você não tiver visão de jogo, posicionamento, mira e afins.
O mesmo acontece na educação. Nos EUA, por exemplo, algumas faculdades de Direito flexibilizam os requisitos de entrada para as minorias raciais sob uma política de ação afirmativa.
Esses alunos apresentam dificuldades de aprendizado durante o ensino básico e a graduação, mas, após formados, a diferença entre eles e os outros desaparecem.
Apesar de seu baixo desempenho antes e durante a faculdade, os estudantes de cota desfrutam de salários semelhantes, ganham prêmios e fazem tantas contribuições ao mundo jurídico quanto seus colegas brancos.
Habilidades aprendidas e traços culturais são alicerces fundamentais para a realização pessoal, seja qual for o campo. Ninguém se tornará um especialista em Direito se não tiver talento para argumentar, tampouco um jogador de basquete se não conseguir acertar a cesta.
No entanto, uma vez que o limite de habilidades naturais é atingido, os fatores sociais, as conexões, ou mesmo um golpe de sorte podem fazer de qualquer pessoa alguém diferenciado. Um outlier.
Trabalho duro supera o talento
Anders Ericsson, um cientista cognitivo da Universidade Estadual da Flórida, mostrou através de estudos científicos que é necessário investir uma quantidade “mínima crítica” de tempo até dominar algum campo de atuação. Malcolm Gladwell tornou essa pesquisa conhecida como a “Regra das 10 mil horas”.
Bill Gates teve acesso à programação informática em 1968, quando ainda estava na oitava série. Gladwell comenta: “quando deixou Harvard após o segundo ano para criar sua própria empresa de software, Gates vinha programando sem parar por sete anos consecutivos.”
Os Beatles, no início da banda, participavam todo ano de um festival em Hamburgo, Alemanha. Eles tocavam 8h por noite, durante uma semana inteira.
Malcolm Gladwell esclarece: “o que havia de especial em Hamburgo não era o dinheiro – pagava-se mal ali. Nem uma acústica fantástica. Nem um público que conhecia e apreciava música. Era simplesmente a quantidade de tempo que a banda era forçada a tocar”.
Embora fossem indivíduos talentosos, foi a extensa prática que os transformou em músicos de classe mundial. Assim como programar desde criança fez de Bill Gates um ícone da história da informática.
O mês de nascimento também pode contribuir no tempo de prática. Por exemplo, em ligas canadenses de hóquei, a data de corte para os grupos etários é 01 de janeiro. Ou seja, todas as crianças nascidas no mesmo ano competem umas contra as outras.
O corte anual lança crianças nascidas em janeiro contra aquelas que nasceram no final de dezembro. Logo, os nascidos em dezembro competem com crianças que são, praticamente, um ano mais velha.
Dessa forma, o sistema desigual de corte também cria uma profecia autorrealizável: treinadores elogiam as crianças nascidas em janeiro, porque elas são mais fortes e melhores jogadores, quando na verdade são apenas mais velhas.
As crianças com essa vantagem injusta obtêm mais incentivos e oportunidades para melhorar seu desempenho. Gladwell chama isso de Vantagem Cumulativa. É a razão pela qual a maioria dos jogadores profissionais de hóquei faz aniversário no primeiro trimestre do ano.
Malcolm Gladwell comenta: “o que de fato distingue as histórias dessas pessoas não é seu talento fantástico, e sim as oportunidades extraordinárias que tiveram”.
Para Gladwell “golpes de sorte não costumam ser exceção entre bilionários do software, celebridades do rock e astros do esporte. Pelo contrário, parecem constituir a regra”.
A questão é ter a oportunidade de começar a praticar mais cedo do que os outros e receber os incentivos certos no momento oportuno.
Contexto Familiar
O contexto familiar aumenta as chances de sucesso. Depois das habilidades naturais e daquelas desenvolvidas com treinamento, outro fator importante para alcançar o sucesso é a Inteligência Prática, que é diferente da capacidade analítica medida pelo QI.
A Inteligência Prática é o conhecimento “processual”, ou seja, a capacidade de interpretar e trabalhar situações sociais de modo a conseguir o que se deseja. Saber “a quem”, “o quê” e “quando” perguntar e, também, saber interagir e negociar com figuras de autoridade. Esse conhecimento não é inato.
O sociólogo Annette Lareau descobriu que pais de classe alta incutem em seus filhos o sentimento de “ter direito” com mais frequência do que os pais de classe baixa.
Em geral, eles conseguem fazer isso, porque dão mais atenção aos seus filhos ou, pelo menos, oferecem mais atividades que promovem o crescimento intelectual. Lareau chama isso de “Cultivo Orquestrado”.
Os pais ricos orientam as crianças a exigirem respeito e a enfrentarem situações de confronto com figuras de autoridade – por exemplo, lidar com uma consulta médica, tirando dúvidas e revelando todos os sintomas ao médico sem o suporte de um dos pais por perto.
Em contrapartida, os pais mais pobres são frequentemente intimidados pela autoridade e deixam seus filhos seguirem um padrão de “crescimento natural”.
Há menos estímulo e encorajamento como também há pouca orientação. Isso significa que as crianças de famílias mais pobres são menos propensas a desenvolverem a Inteligência Prática, o que diminui radicalmente suas chances de sucesso.
Sem a Inteligência Prática, por mais talentoso que você seja, não conseguirá desenvolver seu potencial ao máximo. A vida oferece muitas situações em que apenas o talento não é suficiente. É necessária uma base familiar para ter autoafirmação perante a sociedade.
Além do contexto familiar, o ano de nascimento também pode influenciar no alcance do sucesso. Considere vários bilionários da informática como Bill Gates, Steve Jobs e Bill Joy, todos eles demonstraram um talento extraordinário para o raciocínio lógico, bem como ambição, inteligência prática e oportunidades para exercitar suas habilidades durante 10 mil horas.
Mas, para se saírem bem com a indústria de software precisavam nascer no momento certo também, de 1954 a 1956. Ou seja, tarde o bastante para ter acesso ao modelo de computador que facilitou o trabalho com programação, e cedo suficiente para impedir que outros tivessem as ideias que eles tiveram.
Para ser um Outlier, portanto, é necessário ter a chance de começar cedo para obter o máximo de prática possível e o contexto familiar precisa contribuir com os recursos necessários de apoio.
Para Gladwell, muitas pessoas não se tornam Outliers, exatamente, porque não têm as mesmas oportunidades que aquelas que se tornaram.
Legado cultural
O lugar de onde você vem pode contribuir para o seu sucesso. Já reparou como os orientais são bons em matemática? Uma das razões é a linguagem. Ao aprenderem os nomes dos números em idiomas asiáticos, as crianças automaticamente aprendem a somar.
Além do idioma, o cultivo de arroz promove uma ética intensa de trabalho. Cultivar arroz é mais difícil do que qualquer outra cultura. Uma boa colheita de arroz requer precisão, coordenação e paciência. Por isso, os orientais persistem por mais tempo na resolução dos problemas matemáticos do que os estudantes ocidentais.
Outro fator é que na Idade Média, os sistemas feudais da Europa e das Américas exploravam os pequenos agricultores. Mas, na Ásia, havia uma clara relação entre esforço e recompensa. O pequeno agricultor recebia uma porcentagem daquilo que cultivava.
O provérbio chinês revela: “Ninguém que em 360 dias do ano acorde antes do amanhecer deixa de enriquecer a família”.
Portanto, sim, os asiáticos geralmente são bons em matemática, porque isso é resultado do seu contexto histórico. Tanto sucesso quanto fracasso podem estar relacionados ao legado cultural que as pessoas inconscientemente carregam.
Malcolm Gladwell explica: “os legados culturais são forças poderosas. Possuem raízes profundas e vida longa. Persistem, geração após geração, praticamente intactos, mesmo quando as condições econômicas, sociais e demográficas que os geraram já desapareceram”.
Por outro lado, o lugar de onde você também vem pode contribuir para o seu fracasso. Além de promover o sucesso, a percepção do legado cultural também ajuda a evitar o fracasso. Um bom exemplo disso são os acidentes de avião. Esse infortúnio quase sempre é resultado do acúmulo de pequenas falhas que poderiam ser evitadas.
Num acidente aéreo de 1997 em Guam, o engenheiro de voo da Korean Air tentou alertar o comandante que a visibilidade era extremamente baixa para a realização do pouso. Mas, o máximo que conseguiu foi dar um palpite: “hoje o radar meteorológico nos ajudou muito”.
O copiloto, sofrendo do mesmo efeito que o engenheiro, só conseguiu dar outro palpite: “o senhor não acha que chove mais nessa área aqui?”. Às 1h42min25s do dia 5 de agosto de 1997 eles atingiram o monte Nimitz e 228 pessoas morreram, inclusive os tripulantes.
Malcolm Gladwell comenta: “mais tarde, na investigação do acidente, descobriu-se que, se o copiloto tivesse assumido o controle do aparelho naquele momento, haveria tempo suficiente para subir o nariz do avião e evitar o monte Nimitz”.
A Korean Air, antes do ano 2000, tinha um índice de desastres aéreos muito acima da média mundial. Esse histórico negativo na aviação comercial coreana é explicado pelo legado cultural da mesma maneira que a predisposição asiática para a matemática.
A reverência às figuras de autoridade é extremamente valorizada na cultura coreana. Se o comandante de um avião comete um erro, o tripulante de patente inferior não se sente confortável em enfrentá-lo, porque seu legado cultural diz que ele não deve fazer isso.
Gladwell explica: “os co-pilotos são treinados para agir quando acreditam que o piloto está errado. Mas uma coisa é aprender na sala de aula, outra coisa bem diferente é fazer isso no ar com alguém que poderia socá-lo caso você estivesse enganado”.
Após reconhecer as consequências que o legado cultural coreano em relação à hierarquia representava na pilotagem, a Korean Air promoveu uma reforma nos processos de comunicação da tripulação. Atualmente seus índices de segurança coincidem com os dos seus concorrentes.
Oportunidade para todos
A KIPP, do South Bronx, é uma escola secundária de disciplina rigorosa aberta a estudantes de baixa renda que atinge níveis acima das escolas particulares.
Programas como o da KIPP poderiam ser criados em todas as escolas públicas para permitir aos filhos de pais pobres o acesso às mesmas oportunidades que as crianças ricas.
Muitos outros garotos poderiam se tornar jogadores de hóquei se todos os recursos não fossem para aqueles que tiveram a injusta vantagem de terem nascido no começo do ano.
A Vantagem Cumulativa de alguns significa Desvantagem Cumulativa para outros. A data de nascimento e a classe social não deveriam ser critérios de seleção.
Uma vez que a falha no sistema é reconhecida, então, pode ser reestruturada. Reconhecer as razões ocultas do sucesso possibilita oportunidades iguais. Por exemplo, em vez de usar datas anuais de corte, os jovens jogadores de hóquei poderiam ser divididos em quatro grupos de idade. Nascidos de janeiro/março poderiam jogar em um grupo, de abril a junho em outro, e assim por diante. Desta forma todos teriam a oportunidade de competir de igual para igual.
A verdade é que os processos atuais usados para esculpir talentos e construir histórias de sucesso não são eficazes nem eficientes. Resultam em apenas alguns casos esporádicos de sucesso. Malcolm Gladwell indaga que Fora de Série “não é um livro sobre árvores altas, mas sobre florestas”.
Rangel Ramos
Bacharel em Teologia (Fabapar) e em Comunicação (UTFPR). Mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Escreve sobre liderança, desenvolvimento pessoal e textos devocionais. É um dos idealizadores do ministério Uns Aos Outros.
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